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Por Gustavo Amorim*
O Brasil está cada vez mais urbanizado, e não estou falando do crescimento das capitais, mas das cidades médias. De acordo com o Censo 2022, 87,4% dos brasileiros moravam em áreas urbanas, enquanto 12,6% moravam em áreas rurais. Em 2025, o IBGE registrou que o crescimento populacional das capitais com mais de um milhão de habitantes, comparado ao ano anterior, ficou abaixo de 1% (exceto Manaus/AM), enquanto as cidades com população entre 100 mil e 500 mil habitantes tiveram a maior proporção (19%) de municípios com crescimento acima de 1%.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já tinha avaliado, em 2022, que “as cidades médias podem contribuir para o surgimento e fortalecimento de polos de desenvolvimento e competitividade no território, estimular a desconcentração das atividades econômicas e da população e criar novas oportunidades de emprego”. Uma estratégia urbana para essas cidades pode antecipar e financiar uma expansão planejada, justamente para evitar carência de infraestrutura e informalidade.
Nesse sentido, o loteamento é um excelente instrumento de organização do território, porque já prevê infraestrutura básica definida por lei: escoamento das águas das chuvas, iluminação pública, rede de esgoto, abastecimento de água potável, energia elétrica pública e domiciliar e vias de circulação. Essa infraestrutura, ao contrário de um zoneamento simples, atrai moradores e, com eles, toda uma rede mercadológica e de serviços.
O loteamento tem uma cadeia produtiva longa, que começa antes da venda do primeiro lote, com as obras de infraestrutura, e continua depois, com o desenvolvimento socioeconômico local. Cabe aos municípios aprovar projetos com critério, exigir respeito às normas ambientais e vincular a expansão da cidade ao transporte público, às escolas, às unidades de saúde, aos Correios e demais serviços públicos. Uma coisa atrai a outra: o comércio se intensifica porque as pessoas precisam comer, se vestir, estudar, trabalhar, socializar, enfim, a expansão urbana bem conduzida ativa múltiplas atividades ao seu redor. Mais moradores e mais atividades econômicas tendem a ampliar a arrecadação municipal e a circulação de renda.
Nosso país ainda enfrenta sérias deficiências estruturais. Diante dessa realidade, o loteamento pode ser visto como parte de uma política de desenvolvimento, porque sua cadeia produtiva cumpre um papel que vai muito além da oferta de terrenos, ela antecipa investimentos, ativa as economias locais e reduz o custo futuro da desordem urbana. Cidades inteligentes nascem de um planejamento que antecede a ocupação do solo.
*Gustavo Amorim é economista, empresário e presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (AELO-MG).
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