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Mudanças nas políticas de financiamento da Caixa Econômica Federal estão causando apreensão entre especialistas e consumidores. A partir da próxima sexta-feira (1), o banco limitará os empréstimos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para imóveis de até R$ 1,5 milhão e reduzirá as cotas de financiamento, o que exigirá um valor de entrada maior dos compradores. As novas regras impactam diretamente o acesso ao crédito imobiliário e podem frear o crescimento do mercado, já que menos brasileiros terão condições de financiar imóveis de alto valor ou de adquirir várias propriedades simultaneamente.
Principais mudanças nas regras
Limite no valor do imóvel: Com as novas normas, a Caixa permitirá financiamento para imóveis avaliados em até R$ 1,5 milhão, o que pode restringir o acesso de compradores de imóveis mais caros ao crédito imobiliário. Além disso, não será permitido que o cliente tenha outro financiamento habitacional ativo na Caixa.
Redução das cotas de financiamento:
- Sistema de Amortização Constante (SAC): o limite de financiamento passará de 80% para 70% do valor do imóvel. Por exemplo, um imóvel de R$ 800 mil poderá ser financiado em até R$ 560 mil, cabendo ao comprador arcar com R$ 240 mil de entrada.
- Sistema Price: O percentual financiado passará de 70% para 50%, aumentando ainda mais a entrada necessária para adquirir um imóvel. Nesse caso, um imóvel de R$ 800 mil terá até R$ 400 mil financiados, enquanto o tomador será responsável por R$ 400 mil.
Impacto nas famílias e no mercado imobiliário
Para especialistas, essas alterações vão limitar o poder de compra de muitos brasileiros, que precisarão de uma entrada maior para adquirir um imóvel. "Com menos pessoas qualificadas para o financiamento, é provável que o mercado desacelere, e o encarecimento da entrada reduzirá ainda mais o número de financiamentos", explica José Gomes, economista do setor imobiliário.
Segundo dados da Caixa, a carteira de crédito habitacional da instituição deve ultrapassar o orçamento previsto para 2024, impulsionada pela alta demanda e pelo aumento nos saques da poupança. Em setembro, os saques líquidos da poupança chegaram a R$ 7,1 bilhões, impactando o volume disponível para os financiamentos.
Objetivo das novas medidas
A mudança ocorre em resposta à crescente demanda por crédito imobiliário, associada ao aumento nas retiradas da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para o SBPE. Este ano, a Caixa já concedeu R$ 175 bilhões em financiamentos habitacionais até setembro, um crescimento de 28,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior, representando uma fatia de mercado de 48,3% dos recursos do SBPE.
Em nota, a Caixa destacou que as novas diretrizes não terão prazo de validade e que continuará avaliando alternativas junto ao governo e ao mercado para manter o acesso ao crédito habitacional. "Buscamos soluções para expandir o crédito imobiliário, atendendo à demanda de forma sustentável", afirmou o banco.
E quem já tem financiamento ativo?
Os contratos em vigor não serão afetados pelas novas regras, o que garante que as condições atuais dos mutuários serão preservadas.
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