Se antes o tamanho do imóvel era sinônimo de status, hoje o que define um bom espaço é a inteligência com que ele é pensado. Em casas amplas ou apartamentos compactos, cresce uma geração que busca funcionalidade sem abrir mão da estética e que enxerga o lar como parte essencial do bem-estar.

No caso dos imóveis menores (até 45m²) que, segundo o Secovi-SP, cresceram 57% em 2024, o movimento vai além dos números. A tendência reflete uma mudança cultural impulsionada por famílias reduzidas, novas dinâmicas de trabalho e um vínculo mais emocional com o lar.

Com metragens cada vez mais enxutas, o design inteligente e as soluções multifuncionais deixaram de ser tendência para se tornar necessidade. Móveis versáteis, marcenaria sob medida e ambientes adaptáveis à rotina de cada morador tornaram-se protagonistas da casa contemporânea. Essa busca é confirmada por um levantamento da Opinion Box: 33,2% dos brasileiros pretendem realizar alguma obra ou reforma ainda neste ano. Os ambientes mais citados são o banheiro (32%) e o quarto (31,4%), justamente os espaços mais íntimos da casa.

“A casa passou a ser uma extensão da nossa identidade”, comenta Daniel Alves, COO & CSO do Arquiteto de Bolso, plataforma que oferece consultorias de arquitetura acessíveis e personalizadas. “O brasileiro está decorando e reformando com propósito, e não apenas por estética”. 

Por outro lado, segundo Márcia Monteiro, arquiteta e cofundadora do Arquiteto de Bolso, ainda há espaço para crescer: “Cerca de 90% dos brasileiros ainda não contam com ajuda profissional para reformar ou decorar suas casas. Por isso, estamos democratizando o acesso a arquitetos e design de interiores. Aquilo que antes era privilégio de poucos agora se torna acessível a todos.” 

Márcia explica que manter um apartamento menor, prático e confortável é um exercício de planejamento e foco no uso que o ambiente vai oferecer. Entre as principais estratégias estão:

1. Aposte em mobiliário multifuncional e sob medida
Em apartamentos compactos, cada centímetro conta. Móveis planejados fazem toda a diferença: camas com gavetões, sofás retráteis, bancadas que se transformam em mesa de jantar ou estação de trabalho. O segredo está em pensar o mobiliário de forma integrada ao espaço, com soluções que tenham mais de uma função e se adaptem à rotina dos moradores.

2. Valorize a fluidez visual e a iluminação
Ambientes pequenos parecerem maiores quando há continuidade visual. Evite divisórias pesadas e prefira materiais translúcidos, como vidro e cobogós. A iluminação também é essencial: luz natural amplia e aquece os espaços, enquanto pontos de luz indireta, em sancas, fitas de LED e luminárias de piso, criam sensação de amplitude e conforto. O ideal também é escolher poucos móveis para que tenha mais espaços de circulação que faz com que tenha a sensação de amplitude.

3. Integre ambientes, mas define usos com sutileza
Integrar cozinha, sala e varanda é uma estratégia comum, mas é importante manter a percepção de cada área. Tapetes, cores e revestimentos diferentes ajudam a delimitar zonas sem perder a unidade. O resultado é um ambiente contínuo, funcional e esteticamente equilibrado.
 
FONTE/CRÉDITOS: Pine Br | Lucca Sassaki