O mercado imobiliário brasileiro movimentou bilhões de reais em vendas em 2025, impulsionado pelo avanço de cidades médias e litorâneas, pela valorização do alto padrão e por um processo de descentralização dos investimentos. É o que mostra levantamento da DWV, referência em inteligência de mercado para o setor, que analisou 111.600 imóveis ao longo do ano.

Segundo os dados da plataforma, os mercados que lideraram o ranking nacional de vendas concentraram volumes expressivos de Valor Geral de Vendas (VGV). Apenas cinco cidades somaram mais de R$ 14,6 bilhões em imóveis comercializados em 2025, com destaque para Itapema (R$ 4,1 bilhões), Porto Belo (R$ 3,8 bilhões), Balneário Camboriú (R$ 2,4 bilhões), Itajaí (R$ 2,2 bilhões) e Curitiba (R$ 2,0 bilhões).

O levantamento mostra que o volume financeiro acompanha a mudança no perfil do mercado. O valor médio por imóvel chegou a R$ 2,85 milhões nas praças mais valorizadas, com Balneário Camboriú liderando o ranking nacional de ticket médio, seguida por Torres (RS) e São Paulo. O dado reforça o avanço do alto padrão fora dos grandes centros tradicionais.

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Em termos de liquidez, cerca de 18 mil imóveis foram vendidos ao longo do ano, o equivalente a 16,1% do estoque total analisado. Apesar de ainda haver 93,6 mil imóveis disponíveis, o desempenho varia significativamente entre os mercados, indicando que as vendas estão concentradas em projetos bem posicionados, com maior valor agregado.

Para Dagoberto Fagundes, cofundador da DWV, os números de 2025 evidenciam tendências estruturais no setor. “Quando olhamos para o VGV, fica claro que o mercado não está apenas vendendo mais unidades, mas movimentando volumes financeiros crescentes em regiões específicas. Os dados mostram três movimentos importantes: a descentralização do investimento, a valorização fora do eixo tradicional e uma liquidez mais seletiva, concentrada em produtos bem posicionados”, explica.

Segundo ele, o comportamento do comprador explica a concentração do valor financeiro. “Não é um crescimento generalizado. O capital está indo para onde há produto de qualidade, boa localização e preço coerente. Isso explica por que alguns mercados concentram bilhões em vendas enquanto outros ficam mais lentos.”

O estudo também mapeia cidades emergentes que apresentaram forte crescimento de VGV em relação a 2024, como Balneário Piçarras (SC), Navegantes (SC), Porto Belo (SC) e João Pessoa (PB), reforçando o protagonismo de cidades médias e turísticas no ciclo atual do mercado imobiliário.

No Nordeste, os dados mostram comportamentos distintos. João Pessoa se destaca pela alta liquidez e crescimento expressivo do volume financeiro negociado, enquanto Fortaleza registra forte valorização do metro quadrado, com ticket elevado e perfil mais seletivo de vendas.

Para 2026, a expectativa da DWV é de continuidade desse movimento, com maior foco em eficiência e geração de valor. “O próximo ciclo será menos sobre volume genérico e mais sobre VGV qualificado. Dados serão cada vez mais decisivos para definir onde lançar, como precificar e para quem vender”, conclui Dagoberto Fagundes.

Sobre a DWV

Com mais de 70 mil corretores ativos em sua base, a DWV é uma plataforma de inteligência imobiliária que combina dados, tecnologia e educação para transformar a performance de vendas de corretores e imobiliárias em todo o país. Fundada por especialistas do setor, a empresa se consolidou como uma das principais comunidades imobiliárias do Brasil, conectando conhecimento e prática para impulsionar resultados, promover negócios e fortalecer a competitividade do mercado.

Dados

Cidades que mais venderam (em unidades)

O volume de vendas reflete diretamente a atratividade e a liquidez dos mercados locais. Veja o top 5 em número de unidades vendidas:

  1. Porto Belo (SC) – 3.644 unidades
  2. Itapema (SC) – 2.999 unidades
  3. Curitiba (PR) – 1.984 unidades
  4. Itajaí (SC) – 1.474 unidades
  5. Balneário Camboriú (SC) – 1.083 unidades

Insight: O litoral de Santa Catarina domina o ranking, com 4 das 5 cidades mais vendedoras, indicando um boom regional de vendas impulsionado por demanda nacional e valorização contínua.

Ticket médio por cidade (valor médio dos imóveis vendidos)

Este indicador mostra onde estão os mercados de maior valor agregado:

  1. Balneário Camboriú (SC) – R$ 2.854.588
  2. Torres (RS) – R$ 2.465.823
  3. São Paulo (SP) – R$ 1.639.783
  4. Balneário Piçarras (SC) – R$ 1.509.011
  5. Itapema (SC) – R$ 1.497.344

Insight: o alto padrão consolidado no litoral catarinense e em Torres (RS) está se destacando. Isso reforça a tese de que mercados "não tradicionais" vêm absorvendo investimentos imobiliários de alto valor.

Liquidez e Estoque

  • Total de imóveis analisados: 111.600
  • Imóveis ainda disponíveis: 93.600 (~83,9%)
  • Imóveis vendidos no período: ≈18.000 (~16,1%)

Insight: A taxa de giro do estoque ainda é baixa se comparada ao total anunciado, mas cidades como Porto Belo e Itapema demonstram desempenho muito acima da média, sugerindo um fluxo de vendas acelerado e alta liquidez em segmentos específicos.

Cidades Emergentes em 2025

Com base no ranking de vendas e no crescimento de participação entre cidades médias e litorâneas, destacam-se:

  • Porto Belo (SC): disparou como a líder nacional em unidades vendidas, com quase 3.7 mil imóveis no ano.
  • Itajaí (SC): também aparece com força crescente.
  • Torres (RS): mesmo com menos unidades, o ticket alto mostra que entrou no radar dos investidores de alto padrão.

Resumo e Conclusões Estratégicas

  • Santa Catarina lidera tanto em volume quanto em valor, tornando-se o epicentro do mercado imobiliário nacional em 2025.
  • Ticket médio alto e liquidez rápida se concentram em Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo e Torres – locais estratégicos para lançamentos de alto padrão.
  • Cidades médias e litorâneas ganharam protagonismo frente às grandes capitais, indicando um movimento de descentralização do investimento imobiliário.
  • O dado de mais de 93 mil imóveis ainda disponíveis representa um estoque relevante e vivo, que pode ser explorado estrategicamente com base nos filtros de procura e liquidez.

João Pessoa

  • Um dos mercados mais líquidos da DWV: alto giro proporcional.
  • Preço muito bem calibrado: m² vendido ≈ m² ofertado → mercado maduro.

Fortaleza

  • Ticket alto com giro baixo: mercado premium, porém seletivo.
  • Valorização real forte: o m² vendido supera muito o ofertado → quem compra aceita pagar mais quando o produto é certo. 

Cidades que mais venderam - em VGV 2025

  • Itapema – R$ 4.145.493.616,10
  • Porto Belo – R$ 3.811.210.235,96
  • Balneário Camboriú – R$ 2.429.393.608,51
  • Itajaí – R$ 2.221.228.617,24
  • Curitiba – R$ 2.027.372.528,45
  • Balneário Piçarras – R$ 666.739.793,04
  • Joinville – R$ 503.547.654,95
  • Navegantes – R$ 485.493.750,38
  • João Pessoa – R$ 482.399.333,17
  • Gramado – R$ 420.399.145,79

Crescimento percentual em relação a 2024

  • Porto Belo – +32,28%
  • Balneário Camboriú – +10,14%
  • Itajaí – +40,57%
  • Balneário Piçarras – +93,13%
  • Joinville – +1,39%
  • Navegantes – +63,02%
  • João Pessoa – +121,48%
  • Gramado – +2,06%

Ticket médio por cidade - Valor médio vendido 2025

  • Itapema – R$ 1.497.098,78
  • Porto Belo – R$ 1.125.066,32
  • Balneário Camboriú – R$ 4.307.435,48
  • Itajaí – R$ 1.208.591,83
  • Curitiba – R$ 1.103.922,15
  • Balneário Piçarras – R$ 1.545.785,39
  • Joinville – R$ 941.210,57
  • Navegantes – R$ 868.315,81
  • João Pessoa – R$ 831.722,99
  • Gramado – R$ 1.454.668,32

Cidades emergentes com as maiores porcentagens de valorização do VGV

  • Porto Belo
  • Itajaí
  • Balneário Piçarras
  • Navegantes
  • João Pessoa

Valorização por região (Sul, Sudeste, Nordeste…)

Como temos uma presença muito maior no sul, acredito que seja melhor fazer por estado, pois fica mais proporcional

  • Santa Catarina: Valorização comparando 2024 e 2025: +14,6%
  • Rio Grande do Sul: Valorização comparando 2024 e 2025: +12,8%
  • Paraná: Valorização comparando 2024 e 2025: +12,5%

Top cidades que mais valorizaram

  1. Fortaleza - 2024: R$ 8.238,10 - 2025: R$ 13.972,42 - +69,58%
  2. Navegantes - 2024: R$ 8.576,96 - 2025: R$ 10.929,31 - +27,45%
  3. Bombinhas - 2024: R$ 14.536,46 - 2025: R$ 18.046,22 - +24,16%
  4. Balneário Camboriú - 2024: R$ 21.893,31 - 2025: R$ 26.197,99 - +19,63%
  5. Jaraguá do Sul - 2024: R$ 10.312,28 - 2025: R$ 12.342,74 - +19,68%
  6. Indaial - 2024: R$ 5.621,93 - 2025: R$ 6.686,31 - +18,95%
  7. Torres - 2024: R$ 17.382,57 - 2025: R$ 20.538,56 - +18,17%
  8. Itapema - 2024: R$ 12.641,96 - 2025: R$ 14.437,11 - +14,20%

Top regiões que mais valorizaram

  1. Água Verde (Curitiba) – 2024: R$ 10.591,88 - 2025: R$ 20.481,17 - +93,32%
    Prado Velho (Curitiba) – 2024: R$ 8.649,81 - 2025: R$ 16.155,09 - +86,77%
  2. Nações (Balneário Camboriú) – 2024: R$ 8.844,80 - 2025: R$ 14.619,55 - +65,29%
  3. Areias (Camboriú) – 2024: R$ 5.511,86 - 2025: R$ 9.068,42 - +64,56%
  4. Andorinha (Itapema) – 2024: R$ 15.100,01 - 2025: R$ 24.061,25 - +59,31%
  5. Carniel (Gramado) – 2024: R$ 14.374,62 - 2025: R$ 22.207,97 - +54,53%
  6. Portão (Curitiba) – 2024: R$ 8.831,52 - 2025: R$ 13.113,84 - +48,47%
  7. Cabral (Curitiba) – 2024: R$ 10.302,24 - 2025: R$ 15.276,44 - +48,34%
  8. Santa Quitéria (Curitiba) - 2024: R$ 8.040,27 - 2025: R$ 11.718,75 - +45,82%

Comparativo entre imóveis de tipologias médias, grandes e compactos

Difícil comparar padrão já que temos acesso aos dados e não a qualidade dos imóveis. Por isso, alterei levando em consideração apenas as tipologias.

Compactos: área até ~ 20 até 60 m², 1 dormitório

2024: R$ 13.187,45

2025: R$ 13.465,89

Crescimento de +2,11%

Médios: 60‑120 m², 2‑3 dormitórios

2024: R$ 11.735,48

2025: R$ 13.237,35

Crescimento de +12,80%

Grandes: acima de ~120 m², 3+ dormitórios

2024: R$ 16.044,12

2025: R$ 19.158,13

Crescimento de +19,39%

Regiões com maior giro de estoque

Essas cidades apresentaram o maior volume de vendas no curto prazo, considerando imóveis vendidos entre 0 e 60 dias após o lançamento:

  • Porto Belo  632 vendas
  • Balneário Camboriú – 384 vendas
  • Itajaí – 276 vendas
  • Curitiba – 212 vendas
  • João Pessoa – 158 vendas

Ranking das tipologias

  • Médios: 60‑120 m², 2‑3 dormitórios: 6.273 vendas
  • Grandes: acima de ~120 m², 3+ dormitórios: 2.970 vendas
  • Compactos: área até ~ 20 até 60 m², 1 dormitório: 2.513 vendas

Crescimento de procura por formato

Compactos: área até ~ 20 até 60 m², 1 dormitório:

2024 - 1.846 vendas

2025 - 2.513 vendas

Crescimento - +36.14%

Médios: 60‑120 m², 2‑3 dormitórios:

2024 - 7.103 vendas

2025 - 6.273 vendas

Crescimento - −11.68%

Grandes: acima de ~120 m², 3+ dormitórios:

2024 - 2.469 vendas

2025 - 2.970 vendas

Crescimento - +20,28%

Ticket médio por tipologia

Compactos: área até ~ 20 até 60 m², 1 dormitório: R$ 577.694,25

Médios: 60‑120 m², 2‑3 dormitórios: R$ 1.153.088,91

Grandes: acima de ~120 m², 3+ dormitórios: R$ 3.266.330,65

Cidades médias com maior boom imobiliário

(Cidades com porte urbano médio, geralmente entre 100 mil e 400 mil habitantes, com certa relevância regional)

Itajaí (SC) - +79,63%

2024 - R$ 1.236.586.721,52

2025 - R$ 2.221.228.617,24

São José dos Pinhais (PR) - +31,41%

2024 - R$ 79.337.485,69

2025 - R$ 104.275.042,62

Joinville (SC) - +1,47%

2024 - R$ 496.266.541,37

2025 - R$ 503.547.654,95

Onde o interior está valorizando mais que capitais

As capitais apresentaram desvalorização de 6,27% no volume de vendas de 2024 para 2025.

Piçarras (SC) - +101,47%

2024 - R$ 330.976.937,58

2025 - R$ 666.739.793,04

Navegantes (SC) - +69,89%

2024 - R$ 285.692.086,08

2025 - R$ 485.493.750,38

Porto Belo (SC) - +32,40%

2024 - R$ 2.877.147.860,19

2025 - R$ 3.811.210.235,96

Penha (SC) - +17,10%

2024 - R$ 184.649.391,48

2025 - R$ 216.245.608,84

Canela (RS) - +10,93%

2024 - R$ 105.733.356,37

2025 - R$ 117.299.188,67

Gramado (RS) - +4,48%

2024 - R$ 402.393.847,14

2025 - R$ 420.399.145,79

Tijucas (SC) - +26,46%

2024 - R$ 47.038.826,50

2025 - R$ 59.496.500,00

Barra Velha (SC) - +25,30%

2024 - R$ 271.264.909,27

2025 - R$ 340.099.526,99

FONTE/CRÉDITOS: Radar DWV | Smart